Área jurídica: punição administrativa

  • Como Anular um PAD? Conheça 14 Motivos que Podem Levar à Reintegração do Servidor

    Como Anular um PAD? Conheça 14 Motivos que Podem Levar à Reintegração do Servidor

    O servidor público efetivo, quando comete alguma infração funcional, é processado administrativamente pelo órgão competente, que apurará os fatos e aplicará as penalidades correspondentes ao caso.

    As infrações funcionais são violações de deveres e proibições previstas no Estatuto do Servidor Público.

    É importante entender que o processo administrativo disciplinar (PAD) é um rito para apuração e aplicação de penas em razão de infrações funcionais atribuídas ao servidor público efetivo.

    Trata-se de um processo administrativo, uma vez que a legislação do servidor público determina que o processo disciplinar deva tramitar perante o órgão onde atua o acusado.

    Para maior esclarecimento, tomemos como exemplo os arts. 116 e 117 da Lei nº 8.112/1990 (regime jurídico dos servidores públicos civis da União), dos quais podemos extrair o seguinte acerca dos deveres e proibições dos servidores públicos:

    a) “exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo”;

    b) “ser leal às instituições”;

    c) “ter conduta compatível com a moralidade administrativa”;

    d) “tratar com urbanidade as pessoas”;

    e) “promover manifestações de apreço ou desapreço”.

    As infrações disciplinares estão descritas como “tipos abertos”, o que confere grande margem de discricionariedade para a caracterização da infração e a aplicação da pena.

    Em outras palavras, muitos deveres e proibições são subjetivos, o que dá margem para favoritismos, perseguições e arbitrariedades.

    Todavia, existe a possibilidade de controle, e o subjetivismo sancionatório não pode afrontar os princípios da impessoalidade, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e eficiência.

    Dentre as principais causas de nulidade de uma sanção disciplinar aplicada a um servidor, podemos destacar as seguintes:

    a) Perseguição (assédio moral);

    b) Perseguição (assédio sexual);

    c) Perseguição (inimizade);

    d) Pena sem processo;

    e) Processo sigiloso (ausência de publicidade da acusação ao servidor);

    f) Pena sem contraditório (os elementos de defesa precisam integrar a formação do juízo decisório);

    g) Pena sem ampla defesa (indeferimento de prova);

    h) Portaria de abertura editada por autoridade incompetente;

    i) Comissão composta por menos de três servidores estáveis;

    j) Presidente da comissão sem cargo igual ou superior ao do indiciado;

    k) Pena sem previsão na lei que rege o vínculo;

    l) Sanção desproporcional à gravidade da conduta;

    m) Pena aplicada por autoridade incompetente;

    n) Decisão final sem fundamentação detalhada;

    o) Prescrição da pretensão punitiva.

    Nos termos da Constituição de 1988, toda decisão estatal deve ser precedida de devido processo legal (art. 5º, LIV), que assegure contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV). Isso vale especialmente para processos sancionatórios.

    Sempre que o servidor for vítima de algum tipo de perseguição, ou quando o devido processo legal não for observado, a portaria demissional ou qualquer outra sanção poderá ser anulada judicialmente. No caso de demissão, o servidor será imediatamente reintegrado ao cargo; nos demais casos, terá sua punição anulada, além de receber todos os valores que deixou de receber, devidamente corrigidos e acrescidos de indenização por danos morais.